“Aeroporto de Beja perdeu o seu único
voo comercial. Os voos charters entre Paris e Beja estavam prometidos durante
todo o verão e o mês de outubro. Foram agora cancelados.
Jornal Expresso
Tudo isto foi feito, e mal, com
dinheiro meu. Dinheiro sacado ao meu súor, ao meu esforço e sem que da
empreitada se tenha visto retorno que pudesse eventualmente consagrar quer a
obra em si e a sua utilidade, quer a prudência ou sequer bom-senso por parte de
quem a mandou fazer. Falo obviamente dos mil mercadores e fazendeiros daqui,
mais interessados em subordinar tudo a um comércio traiçoeiro, interesseiro,
pérfido mesmo, do que propriamente preocupados com o que de essencial enobrece
um país. Falando de um modo prático, apenas apetece qualificar tais suspeitos
desígnios, estes que assim tornaram o progresso lento e duvidoso, como sendo
projecto de total ausência de discernimento ou de senso moral. E ainda há quem
diga que “obreiros” destes são bons cidadãos, homens que servem o Estado. Não
fazem nada a sério ou que seja eficaz e por isso deveriam ser chamados era de
inimigos do Estado. Não merecem mais respeito que o dedicado a um espantalho e
não obstante a designação parecer rude ou hostil, a estes que não propiciam
ganho algum aos seus semelhantes, não hesito em afirmar que são apenas
perturbadores da ordem. Se o dinheiro que me subtraíram para esta e muitas
outras obras como esta jamais me irá ser devolvido, ou melhor aplicado, então a
única paga que me ocorre é expressar-lhes a minha insatisfação, ingratidão,
enfim negá-los simplesmente. Não existem, nem política nem socialmente, mas
mesmo negados deveriam ser julgados em sede especial para o efeito: no Tribunal
da Tranquilidade Pública. Mesmo que já não governem uma certa república das
bananas.
Mário Rui
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