De facto, entre treinadores e
apresentadoras de televisão há similitudes que nem ao diabo lembra. Como se
pagar-lhes fosse coisa que se fizesse assim do pé para a mão, um foi por dez,
outro vem por quatro limpinhos e a outra vai por quase três. Falo de milhões, mas,
em todo o caso, reina o sossego na República. Afinal, caminheiros da fome
sempre houve em todos os tempos e só venho a terreiro lembrar estas coisitas
sem importância posto que, tendo os três feito essa marcha da fome, a ver vamos
se esta não se vai transformar agora em marcha fúnebre bem explicável. Fico
triste por eles, coitadinhos, mas mais pena tenho ainda, mesmo misturando os
palcos e as plateias, quando vejo os hospitais e os médicos a receberem,
ligados à placenta do SNS, o insuficiente alimento monetário e sem que a
imprensa se preocupe tanto com isso quanto o gozo que lhes dá falar das últimas
bolachas do pacote, quer sejam do futebol ou da televisão. Mas bem sei que, não
obstante encher o peito de ar puro bairrista para que possa tocar bem alto os
clarins clamando justiça, nada conseguirei infelizmente em prol destas casas de
caridade, ou seja, bola e TV. Os hospitais e os médicos bem podem pois esperar
e continuar a ressoar o toque de alarme na bancada dos maçadores pois o que
conta é a palhaçada na relva, ou na tela. Mesmo em tempo de pandemia a que
agora já se junta o pandemónio voraz dos milhões, tudo é uma vergonha nesta
terra portuguesa. E a culpa é de quem? Do Sol, que não nasceu para todos, pois
claro!
Mário Rui
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