domingo, 17 de novembro de 2013

A arte de mentir



























Opinião
A arte de mentir (LER AQUI)
Vasco Pulido Valente  
17/11/2013
 
Eis o resultado de uma “conectividade” virtual. Em todo o caso, o problema não estará neste tipo de relacionamento humano que, é bom, ou mau, conforme o uso que cada um lhe quiser dar. O problema está, isso sim, nas conexões indesejáveis a que alguns recorrem fazendo do termo  “relacionar-se”  a coisa mais traiçoeira que se possa imaginar. Árdua barganha esta a que uns tantos infelizmente se dedicam. Assombrosas qualidades da política à portuguesa. Eu bem digo, «nada de amor à primeira vista». Convém que não nos deixemos dominar e muito menos arrebatar por “redes” políticas pouco confiáveis. Já nos arrancaram o porta-moedas das mãos, não vão também agora levar de borla a nossa ingenuidade.
 
 
Mário Rui

sábado, 16 de novembro de 2013

LIVRE - Mais um!














Partido LIVRE é o nome do novo partido para “uma nova esquerda” que foi apresentado hoje em Lisboa e deverá ter por símbolo uma papoila. Tudo é novo, até o nome; ‘LIVRE’! Parece-me, ignorante feito eu, que afinal todos os outros tinham défice de liberdade. Mas agora começo a perceber melhor, derradeiramente vai nascer um novo dia. Vem aí a nossa era, a do “povo da aurora perpétua”. O que havíamos clamado por não mais permanecermos numa alvorada detida, congelada, que não avançava para nenhum meio-dia. Faltava no espectro político nacional mais um. Um que viesse dar um novo folego, um novo impulso, novas ideias ‘liberais’ somadas a direitos garantidos ao cidadão, uma renovada esperança à esquerda, mais ecológica e, pelos vistos, com mais Europa.  Tudo matéria que nos faz tanta falta quanto a bicicleta faz ao peixe. Apesar de tudo, seria estúpido rir dos românticos. Também o romântico tem razão e sob estas inocentemente perversas imagens palpita um enorme e sempiterno problema; é que  «só quer a vida cheia quem teve a vida parada, só há liberdade a sério quando houver a paz, o pão, habitação, saúde, educação, só há liberdade a sério quando houver liberdade de mudar e decidir«. Ah, como só agora descubro a minha latente sedução pelo trovador de Abril. Grande Sérgio, posso não ter estado do teu lado na maior parte das vezes mas hoje percebo da necessidade de conter a selva invasora. Por agora parece que no “meio da esquerda” e quiçá para quando na “franja da direita”? Já não é altura de ouvir, mas, ao contrário, de julgar, de sentenciar, de decidir. Deixar de fazer ruído é que não, prefiro inteiro a mais partido!
 
Mário Rui

Caro desempregado





















 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CARTA AOS 19%
(Ricardo Araújo Pereira)
 
Caro desempregado,
Em nome de Portugal, gostaria de agradecer o teu contributo para o sucesso económico do nosso país. Portugal tem tido um desempenho exemplar, e o ajustamento está a ser muito bem-sucedido, o que não seria possível sem a tua presença permanente na fila para o centro de emprego. Está a ser feito um enorme esforço para que Portugal recupere a confiança dos mercados e, pelos vistos, os mercados só confiam em Portugal se tu não puderes trabalhar. O teu desemprego, embora possa ser ligeiramente desagradável para ti, é medicinal para a nossa economia. Os investidores não apostam no nosso país se souberem que tu arranjaste emprego. Preferem emprestar dinheiro a pessoas desempregadas.
Antigamente, estávamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Agora estamos só a viver, o que aparentemente continua a estar acima das nossas possibilidades. Começamos a perceber que as nossas necessidades estão acima das nossas possibilidades. A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja. Tens de pagar impostos acima das tuas possibilidades para poderes viver abaixo das tuas necessidades. Viver mal é caríssimo.
Não estás sozinho. O governo prepara-se para propor rescisões amigáveis a milhares de funcionários públicos. Vais ter companhia. Segundo o primeiro-ministro, as rescisões não são despedimentos, são janelas de oportunidade. O melhor é agasalhares-te bem, porque o governo tem aberto tantas janelas de oportunidade que se torna difícil evitar as correntes de ar de oportunidade. Há quem sinta a tentação de se abeirar de uma destas janelas de oportunidade e de se atirar cá para baixo. É mal pensado. Temos uma dívida enorme para pagar, e a melhor maneira de conseguir pagá-la é impedir que um quinto dos trabalhadores possa produzir. Aceita a tua função neste processo e não esperneies.
Tem calma. E não te preocupes. O teu desemprego está dentro das previsões do governo. Que diabo, isso tem de te tranquilizar de algum modo. Felizmente, a tua miséria não apanhou ninguém de surpresa, o que é excelente. A miséria previsível é a preferida de toda a gente. Repara como o governo te preparou para a crise. Se acontecer a Portugal o mesmo que ao Chipre, é deixá-los ir à tua conta bancária confiscar uma parcela dos teus depósitos. Já não tens lá nada para ser confiscado. Podes ficar tranquilo. E não tens nada que agradecer.
 
 
Mário Rui

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Constituição, um texto sem culpa





































 
 
Editorial
Por Eduardo Oliveira Silva - jornal i
publicado em 14 Nov 2013 - 05:00
Ler aqui: 
 
De facto pouco importa se se analisa o estado a que chegámos segundo um ponto de vista político de esquerda ou de direita, pois que o único método de exame através do qual podemos resumir a causa e os efeitos que nos levaram à triste sucessão de acontecimentos que por ora vivenciamos, é claro de sobeja. Deste modo, tão-pouco é útil acrescentar qualquer outro balanço que não seja o que nos entrou vida adentro ao longo dos últimos 39 anos de partidocracia.
 
E o balanço resume-se às alianças, aos conluios, tramas e demais enredos entre os partidos políticos, através da partilha do poder que, infringindo o popular sufrágio universal, resultaram na condição de empobrecimento recorrente de uma parcela muito grande da população, acauteladas que sempre estiveram as mordomias de grupo ou individuais dos actores que desempenharam, com menor e maior proveito, esses papéis. Acresce a isto, conferindo-lhe ainda mais repugnância, a certeza de que semelhante teatralização foi levada a “bom porto” pelos mais impreparados, matreiros e famélicos seres que algum dia desaguaram na gestão do país. Como foi possível enganar todo um povo, como foi possível que todo um povo se tenha deixado enganar? A súbita abundância material de uma certa classe política, embora parecendo raciocínio primário e sem ligação directa aos factos, há muito que nos deveria ter elucidado quanto ao modo como fomos (des)governados. As culpas que sempre se imputaram a terceiros – quaisquer que estes sejam – vão desde a crise mundial até ao mau jeito que dá a Lua quando às vezes se mostra redondinha. Patranhas que nos contam desde tempos remotos. Só patranhas. Se assim tivesse sido, se apenas acreditássemos no mal que pretensamente os de fora nos teriam causado, não obstante tal, quero crer, nem Portugal estaria como está nem, com toda a certeza, teríamos vivido paredes-meias com os sátrapas que desgraçaram o país. É mentira que tudo se fique a dever à conjuntura internacional. Os maus estão mas é no meio de nós, foram eles, com a nossa não menos infeliz complacência, que ditaram a solução final. Portugal paupérrrimo, escasso e sem caminho feliz à vista. Incomum para qualquer tipo de gestão de pedaço de povo que se quer digno é permitir que tais pregoeiros de sistema político esgotado, falido, ainda se mantenham na crista da vaga. Precisamos de saber até onde vai e por quantos mais anos se estenderá a aquisição de habilidades desta gente. Já não sei que mais fazer para obstar ao continuado saque do que sou, mas sei que calar-me não me ajuda! Que me perdoem os que tratam e sempre trataram condignamente a coisa pública. O meu vociferar não lhes aposta culpas. Para os sobrantes, os que desampararam a nação, apetece-me dizer-lhes que bem sei o que é mortal para os ratos dos esgotos urbanos – aquelas criaturas ‘inteligentíssimas’ capazes de aprender a distinguir rapidamente comidas de iscas venenosas – mas falta-me companhia de desinfestação. Por minha vontade, convocava-a urgentemente nem que fosse apenas para o desafio às regras anafadas de uns tantos dessa espécie, para lhes alterar a sua previsível mas verdadeiramente impenetrável maneira de desconsiderar os semelhantes. E o mesmo faria aos que insistem em continuar a orientar as suas acções de acordo com os seus próprios precedentes. Também os há! Muitos! São alguns ‘senadores-generais’ conhecidos por lutarem novamente a sua última guerra, julgada vitoriosa, mas que afinal só assumem riscos suicidas e não favorecem a eliminação dos actuais problemas. Pois se eles próprios são o problema, de que modo poderão ajudar? Talvez permanecendo mudos e quedos dessem um óptimo auxílio, e eu satisfeito.
 
Mário Rui

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Novo Código da Estrada

 

















A 1 de Janeiro de 2014
As novas regras do Código da Estrada entram em vigor dentro de dois meses VER AQUI
 
 
Mário Rui

A garrafa de “bolinha”, a gasosa ou pirolito







































 
Quem não se lembra da famosa garrafa de ‘bolinha’ que continha o não menos famoso ‘pirolito’? Refrescava os mais sequiosos e a tal ‘bolinha’ ainda dava jeito aos mais novos na disputa de uma boa partida de berlindes.
Bebida gaseificada feita à base de açúcar, água e ácido cítrico, a gasosa sempre foi uma bebida muito popular em Portugal e os mais velhos devem-se lembrar que na primeira metade do século XX, a gasosa tomou o nome de “pirolito”, garrafa aqui apresentada, que tinha a particularidade de ser fechada por uma bola de vidro, bola essa que se empurrava para dentro da garrafa no acto de abertura. A bola ficava no estreitamento da garrafa e quando se bebia ouvia-se o som inconfundível do berlinde a bater nas paredes da mesma.
O tal berlinde servia pois para jogar o jogo do berlinde, tão popular entre os rapazes nas décadas de 50 e 60. Nos tempos de hoje, a bebida mais parecida com a gasosa ou pirolito será talvez a Seven Up ( “americanadas”) que, digo eu, ainda agora muito fica a dever à velhinha UPREL de Estarreja. Outros tempos, outros gostos, outras lembranças. Novos tempos, novos sabores, uma outra sociedade de consumo. Melhor que a anterior? Talvez, mas também muito mais ardilosa. Mas ... quanto a sabores, ainda aposto nos antigos. Afinal, os de agora, são apenas uma modernidade que não uma ideia nova. Perdemos o hábito de pedir um ‘pirolito’. De resto, se o fizéssemos, desconfio que o atendimento não seria lá muito amigável. Sim, até porque vivemos na era industrial e, tal como em qualquer máquina de refrigeração, convém que se peça um refrigerante. Ainda que seja para o beber. Máquina e homem sempre se confundiram ...
Bem, para que não deixemos cair no esquecimento velhos companheiros, viva o ‘PIROLITO’!! De preferência “UPRELISTA” já que o nacional é bom. Qual sete, qual carapuça! Isso é nome de gasosa que se preze?
 
(a alusão às marcas comerciais é pura coincidência)
 
Mário Rui

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A Padeira de Aljubarrota



Muitas histórias correram sobre a humilde mulher que, em 1385, numa aldeia perto de Alcobaça, pôs a sua extrema força e valentia ao serviço da causa nacional, ajudando assim a assegurar a independência do reino, então seriamente ameaçada por Castela. É nos seus lendários feitos e peripécias, contados e acrescentados ao longo dos tempos, que se baseia este romance, onde as intrigas da corte e os tímidos passos da rainha- infanta D. Beatriz de Portugal se cruzam com os caminhos da prodigiosa padeira de Aljubarrota, Brites de Almeida, símbolo máximo da resiliência e bravura de todo um povo.

Mário Rui

Língua Portuguesa



A Minha Pátria é a Língua Portuguesa
Teste os seus conhecimentos da Língua Portuguesa com uma pequena amostragem de 30 palavras. Aqui


Mário Rui

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Albert Camus



7 de Novembro de 2013: O centenário de Albert Camus
«Sim, o que é necessário combater hoje é o medo e o silêncio, e, com eles, a separação dos espíritos e das almas que eles provocam. O que é necessário defender é o diálogo e a comunicação universais dos homens entre si. A servidão, a injustiça, a mentira, são as pragas que cortam a comunicação e impedem o diálogo. Por isso temos de rejeitá-las.»
Albert Camus nasceu na Argélia, a 7 de Novembro de 1913. Licenciado e diplomado em estudos superiores, teve que renunciar à carreira universitária por motivos de saúde. Os seus pais eram camponeses pobres e a sua vida foi uma luta pessoal contra a tuberculose. Romancista, teatrólogo, pensador político, psicólogo e sociólogo do destino humano na sua forma de exasperação salvadora, Camus bem podia centralizar, pelo poder da sua inteligência, as forças represadas da comunidade ocidental que sobreviveu à Segunda Guerra. O seu pensamento mergulhava fundo na ansiedade do homem desta época, e seus valores éticos - embora confessadamente agnósticos - apontavam corajosamente para o elenco das normas cristãs: o herói é o que se planta no meio das exigências vitais, e neste meio o cristianismo levanta-se como um promontório de resistência para a integridade do homem.

Mário Rui

Nichos de diletantismo




Afirmação de Margarida Rebelo Pinto, proferida no programa ‘Bom dia Portugal’, da RTP1.
 “Fico profundamente triste enquanto cidadã portuguesa em ver este tipo de manifestações que demonstram falta de civismo das pessoas que vão interromper e tentar perturbar o trabalho daqueles que, neste momento, governam o País”.

Desejos de um “Maduro” socialista;
O presidente venezuelano, decretou o dia 8 de Dezembro como "dia da lealdade e amor" a Hugo Chávez, o seu antecessor, uma iniciativa que procura "honrar" o pensamento e herança do antigo Presidente

A fórmula para enlouquecer o mundo ou os embalsamados num nicho de diletantismo?
Comentar, para quê? Para que algo seja criado, deve-se destinar alguma coisa ao lixo!

Mário Rui

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Justiça e Democracia



««O Movimento Justiça e Democracia considerou hoje que os magistrados não podem aceitar os cortes nos salários "de forma passiva", sublinhando que são "perfeitamente incomportáveis para as pessoas e para os juízes»».
Imprensa escrita de hoje
O Movimento Justiça e Democracia, é uma associação cívica de juízes, formalmente constituída como uma cooperativa em 2001, mas cuja actividade se iniciou no ano de 1997. 
Já lá vai muito tempo em que o Estado-nação conta com alguns actores mais fortes que outros, o que parece estar a gerar um conflito de interesses que mais se assemelha a um choque de “civilizações” dentro do mesmo Estado. Antigamente, “civilização” definia-se quer por elementos objectivos comuns,  quer pela  língua, a história, a religião, os costumes, as instituições e especialmente os sacrifícios repartidos. As objecções levantadas por todos contra a existência de um governo que nos impõe o abuso, o saque, o vilipêndio, deveriam ser sempre um combate assumido por toda a população que tragicamente se vê diminuída dos seus direitos. Independentemente do seio de artes e ofícios em que se movimenta, da classe social a que pertence ou mesmo da condição de vida profissional não activa em que se encontre. A não ser possível debelar de outro modo o flagelo que nos acossa, na maior parte das vezes por renúncia à nossa própria consciência em favor de quem nos degola, então, como mínimo, o que deveria ser opção era ouvirmos um último eco de simpatia e estima por banda dos que, apesar de tudo, ainda não foram lançados a velocidade vertiginosa para o abismo, eco necessariamente dirigido aos que já foram precipitados. Muitos já estão no estado de desgraça do qual será muito difícil sair, outros não sentiram ainda tamanhas descidas e quedas. Seria, pois, excelente ocasião para praticar a obra de “caridade” mais adequada ao nosso tempo. Só que a linguagem amigável, de circunstância, sempre e quando proferida, não dá para tanto. Talvez sirva para enunciados; já para falar em solidariedade e custos igualmente distribuídos começa a ser coisa equívoca e insuficiente! Conjunturas dolorosas, deprimentes, é destino que deve ser feito a par. Nunca só para uns deixando os “românticos” de fora. Querer que o direito reja as relações entre seres que efectivamente não comungam do mesmo país, parece-me, perdoe-se-me, ser uma ideia muito confusa do que é a justiça.  

Mário Rui

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Papa Francisco







































Os actos solenes fundados no isolamento deixam os crentes solitários. Talvez no oposto estejam os pressupostos que norteiam, e bem,  a conduta do Papa Francisco. Uma linguagem comum de união!  Gosto de gente deste quilate.
 
 
Mário Rui

Os sonhos de Otelo

 
(Otelo de Carvalho em entrevista dada ao "Jornal de Negócios" em 2011)
Otelo: precisamos de um homem honesto como Salazar
21 Abril 2011
Otelo Saraiva de Carvalho acredita que Portugal precisa "de um homem com inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar" para resolver a crise que atravessa.
Em entrevista ao "Jornal de Negócios", o "capitão de Abril" sublinhou que "precisávamos de um homem com inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar, mas que não tivesse a perspectiva que impôs, de um fascismo à italiana (...) Alguém que fosse um bom gestor de finanças, que tivesse a perspectiva de, no campo social, beneficiar o povo, mesmo e sobretudo em detrimento das grandes fortunas".
Otelo Saraiva de Carvalho elogia o que se fez a seguir à revolução "ao nível da educação, da saúde". "Houve um rápido crescimento do nível económico das populações a seguir ao 25 de Abril à custa das reservas de ouro que o forreta do Salazar tinha amealhado no Banco de Portugal, mas depois, esgotada essa possibilidade, a coisa começou a entrar em dificuldades", salientou.
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Ou estou a ficar mentalmente desordenado, ou estou com visões cristalizadas do país, que me estão a toldar o raciocínio, ou será mesmo Otelo a passar-se para o lado oposto? Das três, uma! Não é minha intenção fazer “juízo de valor” quanto ao pensamento político do senhor mas, devo dizê-lo, tem dias em que eu próprio sou tomado por alucinações que me segredam; «o que aparece é bom, o que é bom aparece». Mas convenhamos que há um aspecto em que Otelo avalia bem; já houve uma época em que se conseguiu evitar a degradação do ser em ter. No mínimo dá para reflectir. Pois então reflictam, se quiserem, em todo o caso considerem que Otelo não estaria a fazer filosofia, poderia estar antes a filosofar a realidade. É a minha opinião. E já agora devo acrescentar que se uma dada necessidade – mesmo má – se encontra social e economicamente sonhada, o sonho torna-se às vezes necessário. Pois deixemos Otelo sonhar ... já que existem dois tipos de sonhos. Um, é resultado de manifestação instintiva ou mecanismo inconsciente que revive lembranças de factos ocorridos no dia a dia, sendo o mais comum quando ainda em sono leve. Este pouca importância e pouca influência tem na nossa vida diária. O outro, é o sonho que impulsiona a vida quando se está bem acordado. Bem gostaria de ter percebido em qual destes repousariam as palavras de Otelo.
 
Mário Rui

O dia em que os marcianos nos invadiram



30 de Outubro de 1938
Há 75 anos, o pânico apoderou-se de milhões de americanos que ouviram em "directo" a adaptação radiofónica da "Guerra dos Mundos"

No dia 30 de Outubro de 1938, já a seguir ao jantar, pouco depois das oito da noite, quando milhões de americanos passavam o serão de domingo a ouvir um musical, começou a "invasão" da Terra pelos marcianos. O desembarque dos "homenzinhos verdes" no planeta azul foi referenciado no estado da Nova Jérsia. A música de salão que ecoava em milhões de lares americanos foi interrompida para uma informação de última hora, segundo a qual um professor do Observatório de Mount Jennings, em Chicago, informava ter observado explosões em Marte. A música de dança foi retomada até nova interrupção, durante a qual outro cientista, do Observatório de Princeton, Nova Jérsia, Richard Pierson, foi entrevistado pelo telefone, com avisos à audiência de que podia ser interrompido a qualquer momento por outros comunicados. "Fomos informados de que, por volta das 8h50, um gigantesco objecto brilhante, que se julga ser um meteorito, caiu numa quinta nos arredores de Grovers Mill, Nova Jérsia, a 22 milhas de Trenton." O "jornalista" Carl Phillips disse que tinha acabado de receber uma nota segundo a qual um impacto semelhante ao de um sismo ocorrera em Princeton. Depois relatou em tom dramático: "Senhoras e senhores, isto é a coisa mais aterradora que jamais testemunhei... esperem um minuto! Alguém a rastejar. Alguém ou... alguma coisa. Vejo sair daquele buraco negro dois discos luminosos... serão olhos? Pode ser um rosto. Pode ser... Deus do Céu, qualquer coisa sai das sombras parecida com uma serpente cinzenta. Agora outra, e outra, e mais outra. Parecem-me tentáculos. Já estou a ver o corpo da coisa. É maior que um urso e parece vestido com cabedal brilhante. Mas aquele rosto é... indescritível, senhoras e senhores. Tenho de me forçar para conseguir olhar de tão assustador que é... Os olhos são negros e sinuosos como os de uma serpente. A boca é em forma de V, com a saliva a escorrer dos lábios, que parecem pulsar." Nesta altura a emissão de Orson Welles há muito captara a atenção do povo americano e a informação seguinte alimentou o pânico: "Senhoras e senhores, acabam de me entregar uma mensagem que veio de Grovers Mill por telefone. Um momento, por favor. Pelo menos quarenta pessoas, incluindo seis militares, estão mortos num campo a leste de Grovers Mill, com os corpos queimados e retorcidos para além de qualquer possível reconhecimento." Por esta altura centenas de pessoas começaram a reportar à polícia avistamentos de homens verdes um pouco por todos os Estados Unidos. Os ouvintes estão literalmente siderados de medo, mas o pior ainda estava para vir quando lhes foi dito que a milícia tinha sido mobilizada e que sete mil homens rodeavam o objecto de metal. Também eles rapidamente seriam obliterados por um "raio de calor". O "ministro do Interior", cuja voz deliberadamente parecia igual à do presidente Franklin Roosevelt, dirigiu-se à nação. "Cidadãos: Não vou esconder a gravidade da situação com que o nosso país está confrontado, nem a preocupação do governo com a protecção das vidas e propriedade do povo... Devemos continuar a desempenhar as nossas tarefas diárias para podermos defrontar este adversário destruidor como uma nação unida, corajosa, e consagrada à preservação da supremacia humana na Terra."
 A emissora informa que o exército foi mobilizado e que a cidade de Nova Iorque estava a ser evacuada. A música continua, mas milhões de americanos estão em pânico total. Ao longo do programa radiofónico foi repetido que se tratava de uma dramatização baseada num livro. Mas era tarde. Desesperadas, as pessoas telefonavam à polícia e aos jornais. Na Nova Inglaterra, milhares de pessoas abandonaram as suas casas e carregaram as viaturas com o que conseguiram para escapar à invasão. Houve relatos de centenas de pessoas em igrejas a rezar, mulheres que abortaram e outras que deram à luz bebés prematuros e também de mortes. Criticado e louvado, Orson Welles ficou famoso. O mesmo não aconteceu ao autor da obra original, "A Guerra dos Mundos", o escritor britânico Herbert George Wells (1866-1946), conhecido como H. G. Wells.
Até então as pessoas acreditavam no que ouviam na rádio. Nunca mais foi o mesmo depois desta transmissão memorável.
Jornal i

Mário Rui

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Aqui se joga o futuro do País










































Aqui se joga o futuro do País. Governo dos homens ou governo das leis?
Eu bem dizia, ontem mesmo, que isto não ia ficar pelos cães e gatos. Não me enganei. Então não é que já vai nos peixes, tartarugas, canários, e vai daí, a seguir, vem a abetarda, o abutre, o arrabio, o bufo-real, o bútio-vespeiro, o pato-fusco, o  colhereiro, o mocho,  e sabe-se lá mais o quê...  Gaiolas, nós arranjamos. Para “enjaular” alguns falcões-peregrinos, de asas largas, cauda curta e espesso bigode. São os maiores falcões que vivem em Portugal. Voam que se fartam...
 
Mário Rui

Cão ou gato, que mal tem?



O Governo quer alterar a actual lei sobre animais domésticos limitando a dois o número de cães por apartamento e a quatro o número de gatos.
Doa a quem doer, mesmo que canino ou felino, há que demolir as consciências do que resta. Cães e gatos não estão excluídos e, já agora, suspeito, está em congeminação um imposto sobre os mesmos. Quando contemplo este circo decrépito onde cómicos enferrujados se esforçam por vislumbrar vantagem para um Estado ávido das misérias dos seus viventes, já só me dá para desconfiar de tudo. Que mais me resta? Desconfio, para não deprimir.
É só atribuir-lhes um número de contribuinte, uma senha, e eis que a Fazenda Nacional só terá a ganhar. Pois se o resto já paga, da juventuda à maturidade, do fingimento à sinceridade, da economia à cultura, da ciência à religião, da linguagem à discussão, do trabalho ao descanso, porque não mais duas espécies a verterem dízimo? Que importa se são irracionais? Mas fechem lá depressa este processo pois que a seguir ainda temos as nuvens para tabelar e depois taxar! Finda mais esta demanda, já só fica em falta a hipnose do tijolo. Lá iremos, estou certo. Senhor, e o que fazer aos ratos?

Mário Rui

Que barateza de país...



Federação Portuguesa de Futebol paga salários milionários
«O presidente, Fernando Gomes, recebe 28 salários mínimos, mais subsídio de alojamento, o que perfaz cerca de 16 200 euros por mês. A este valor ainda acresce o pagamento das despesas e os quilómetros para deslocações. A verba que leva para casa está imune aos cortes porque se trata de uma entidade privada, ainda que receba subsídios do Estado»
«No total, cada um dos três vice-presidentes - Humberto Coelho, Rui Manhoso e Carlos Coutada, aufere 9840 euros mensais, a que acresce uma série de extras como o pagamento de despesas de alimentação e quilómetros»
«O mesmo se passa com os três diretores João Vieira Pinto, Pauleta e Pedro Dias, que levam para casa mensalmente 8150 euros.»
Imprensa de ontem

 Já serão poucos os que terão ânimo de confessar a sua portugalidade ante o carácter específico da cultura e da história de Portugal.
Ora, só há um modo de escrever a própria essência deste país, é contá-la toda, o bem e o mal!
Tal, procuro fazer eu, à medida que me vou lembrando e convidando à construção ou reconstrução de mim mesmo. Por exemplo, agora que contei um pecado, diria com muito gosto alguma bela acção contemporânea, se me lembrasse, mas não me lembra; fica transferida a melhor oportunidade.
A maior parte dos erros em que laboramos neste mundo provém da falsa definição, ou das noções ardilosas que lemos do bem e do mal. Que pobre Portugal vamos deixar aos nossos filhos! Que barateza de país que se arroga o direito de esbanjar dinheiro nos seus momentos mais amargos e penosos!!!
E a festa continua! Quem paga? Todos nós.

Mário Rui

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Outubro 2013






















 
Mário Rui

A Grande Depressão






































 
29 de Outubro de 1929:  a terça-feira negra
Começa a Grande Depressão
A terça-feira negra, assim chamado o dia 29 de Outubro de 1929, marcado pela série de suicídios ocorridos em resultado do desespero dos accionistas que faliram com a queda da New York Stock Exchange (Bolsa de Valores de Nova Iorque) em Wall Street.
Cinco dias após a queda brusca do preço das acções na bolsa de Valores de Nova Iorque, a bancarrota adquiriu enormes proporções e a crise económica estendeu-se a nível mundial, desencadeando um período de turbulência financeira jamais visto na história. O impacto seria projectado no alto índice de falências bancárias e de desemprego, principalmente no sector industrial. O fôlego económico só seria retomado 12 anos mais tarde, a partir da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. A Grande Depressão provocou o avanço de políticos extremistas, que assim chegaram ao governo em vários países, como no caso da Alemanha com a chegada de Adolf Hittler e do Partido Nazi ao poder.

Mário Rui