sexta-feira, 18 de julho de 2014

A Teoria dos Sentimentos Morais

 

Chama-se Dennis Hope, é americano, não podia ser de outro lado, e diz ser o verdadeiro dono da Lua. Afirma ter em sua posse documentos oficiais das autoridades dos EUA que atestam da propriedade a que se arroga o direito de lotear pedaços e, vai daí, como zeloso senhorio do sítio, o seu negócio é vender terrenos lunares. Mais espantoso ainda é haver gente que lhe vai adquirindo parcelas do nosso satélite, transacções que já lhe terão rendido qualquer coisa como 4 milhões de dólares, o correspondente a cerca de 611 milhões de hectares de solo que, presumo eu, deva ser propriedade urbana. Há tratados que proíbem expressamente que qualquer Estado reclame a soberania da Lua, particularmente o Tratado do Espaço Exterior, aprovado pela ONU e ractificado por mais de uma centena de países. Ora, como tal convenção nada refere a propósito de um qualquer lunático que em nome individual se queira apropriar do solo galáctico, o senhor Dennis tomou-se de agente imobiliário e vamos lá ao comércio. No fundo, esta excêntrica e incomum história acaba por se revelar, apesar de tudo, mais sincera do que o que se poderia esperar. O homem não estará a mentir relativamente à oferta de venda do chão do satélite natural da Terra, afinal para ele e respectivos compradores, quem sabe, um pouco as suas segundas casas no espaço. Se a coisa é conforme à lei da Terra ou não, isso é outra discussão que para aqui não interessa trazer. O bem em apreço é este e só compra quem quer, sabendo de antemão ao que vai. Assim, trago esta história a terreiro tão-só para que possamos avaliar do modo como a mente humana parece não ter fronteira que a trave na sua avidez por magnanimidades, agora até as do Sistema Solar. Ao que sei, em Portugal ainda não apareceu interessado que queira resgatar um naco desse solo lunar, o que não significa ausência de visionários parecidos com o nosso amigo americano. Se esta constatação vos parece irreal, então reparem no ‘modus operandi’ de tais lusos utopistas. Muito mais astutos que o senhor Dennis, encarregaram-se os ditos de, antes de tudo, publicarem a obra intitulada “A Teoria dos Sentimentos Morais”. E o que diz este tratado? Pois bem, para além de outras brilhantes partes deste ambicioso e muito cívico projecto, se calhar até literário, pode-se também atentar em capítulos que versam o desenvolvimento da profunda amizade e intimidade que os autores da Teoria dedicam aos seus compatriotas. Desde os princípios da boa economia financeira até à política económica, está lá tudo. Tendo a obra começado por dissecar filosoficamente estes assuntos, acabou em volume escrito prático onde se ensina, pela mão de figuras prestigiadíssimas dos círculos da finança, como abrir as portas da corte e dos salões. Deve ser notado, também, um outro lado da Teoria onde se fala da remuneração do capital, do princípio do bom juro, juro dos autores que não de outros, associados às acertadas decisões de investimento para, depois, ir parar ao verdadeiro sumo da publicação, ou seja, à produtividade do capital próprio. Em suma é livro que contém uma síntese abrangente da evolução económica/financeira operada ao longo de muitos anos em Portugal. No contexto da obra tudo o que se pode dizer é que se trata da narração empírico-histórico da teoria do crescimento de uma Nação. Não fui capaz de levar até ao fim a leitura de tão grande tratado da arte de bem cavalgar todo o tolo português mas, julgo, por ter posto os olhos a páginas tantas, ter visto uma farta secção dedicada ainda à racionalidade da engorda financeira de alguns banqueiros, imaginem, via superestrutura do arreigado sistema mandante cá de dentro que deu ser a muitos dos ilustres responsáveis pela actual fascinante obra que nos ilumina o futuro. E qual é então a similitude entre o dono da Lua e os quiméricos criadores do estado a que o Estado chegou? É simples: são ambos gente de vistas largas, mas se o primeiro se limita eventualmente a enganar os ricos, aritmética de fácil resolução, já os segundos declaram danos aos desarmados e guerra assim feita é não só mal feita, mas também miseravelmente feita! Representa uma grande doença moral! São estas baças intrigas da banca que ajudam sobremaneira à aflição da razão e da compreensão a juntar à justiça e à verdade que parecem não se ofenderem com tais afrontas a um pobre canto de terra, a que ainda se chama Portugal!
 
Mário Rui
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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Acabou a Copa 2014



Acabou o Mundial de Futebol 2014. Alemanha é campeã e qualquer semelhança com a coincidência é pura realidade. Afinal eles também festejam ... ...
 


Mário Rui
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domingo, 13 de julho de 2014

Tardes, como quaisquer outras

 
 
 
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Mário Rui
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Lua cheia





Lua cheia, na noite passada, maior e mais brilhante do que o habitual, fenómeno que só voltará a repetir-se, nas mesmas condições, dentro de 18 anos, informa o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL).
A verdadeira “Super Lua” visível entre as 21:06 (hora de Lisboa), quando nasce, e as 06:14 de segunda-feira, quando se põe.
 
O fenómeno acontece uma vez por ano, quando a fase de Lua Cheia ocorre perto do perigeu, ponto da órbita da Lua mais próximo da Terra. Nestas condições, a lua cheia é maior e mais brilhante.

 

Mário Rui

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Copa Brasil - Escalando a montanha



A Copa do Mundo Brasil 2014 está a chegar ao fim. Se tivesse de resumir o que se passou na competição diria que a mesma despertou em mim as maiores esperanças, fundadas em duas equipas, Portugal e Brasil. Fechado que foi esse ciclo de confiança, o que sobrou foi afinal uma efémera ilusão de ganhos que mais não acrescenta senão a ideia da necessidade de começar tudo de novo. A velha teoria de que não há que desesperar, mesmo nas situações mais desesperadas, falando por agora apenas de futebol, é algo que já faz parte do jogo português e pelos vistos coisa destinada a ser tolerada de modo humilde. Ainda que falemos em renovação, o surgimento de novos âmbitos de acção que melhorem o desempenho da nossa equipa, atente-se no passado recente, parece ser equação que continua por formular, quanto mais respondida. No caso do Brasil, creio pelo menos por esta vez, também não houve um casamento estável e a confiança manifestada pela equipa foi o que menos se ofereceu ao povo adepto do lado de lá do Atlântico. Quer no nosso caso, quer no brasileiro, o que se deve concluir é que há alianças que começam com a expectativa de mais vantagens e depois acabam por desfazer-se logo que a satisfação enfraquece. No tocante a Portugal, e não querendo sequer avaliar a prestação do treinador, pois analisando melhor todas as variáveis da dita equação, por resolver, é fácil entender que manda quem pode e obedece quem deve, a verdade é que na envolvente habitam muitas situações que apenas conferem à equipa ondas crescentes de incertezas. Não é uma fatalidade mas facto é que assim tem sido este nó que aperta num verdadeiro ciclo vicioso as pretensões futebolísticas nacionais. Esta parece ser a única certeza e não é seguramente questão da nossa inventiva comum. Em suma, e para terminar, este permanente estado de incertezas confundidas com curas só tem levado à derrota do nosso futebol urgindo portanto alterar tal panorama de modo a que possamos alcançar desiderato considerado por todos digno e atractivo. De outro modo, continuaremos a sentir apenas experiências dolorosas, nós, e pelo andar da carruagem o Brasil, embora neste caso por motivos diferentes e que por desconhecimento evito comentar. Remato assim nesta direcção e a tudo o mais quero, e devo, pois então, somar igualmente o resgate dos que, dizem, tratam a bola por tu; no campo, lá onde tudo se decide, Portugal foi uma equipa sem causas comuns e o Brasil um “team” sem ordem nem progresso.

Mário Rui
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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Rádio Voz da Ria

 
 
 
 
Mário Rui
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Espírito nada santo



BES para cá, BES para lá, tudo parece ser como se de festa brava falássemos. A mim, não cuidado nestas matérias da banca desleal que campeia em roda livre pelo país, o que se me afigura certo é que como em Pamplona, festas de San Fermin, tudo se resume à luta pela sobrevivência. Touros desembolados persistem em investidas ante o pacato zé-ninguém que, em lugar de confiar em enxergão amigo que ponha ao abrigo das mentes matreiras a sua economia de uma existência, decide inocentemente colocar a sua vida nos bolsos e na mente moída de gente ávida de sucessos pessoais. É uma luta por sobrevivência que a uns sabe a eclosão de sentimentos expostos na banca da feira das vaidades e a outros a mais não corresponde senão a barafunda, palco da dor pessoal de quem se sente exposto a estes testemunhos públicos de assalto aos tronos que conferem poder, mas também aniquilação completa do carácter cívico de quem os pratica. Bem pode o BdP vir acalmar as consciências mais inquietas, desassossegadas e com razão, pois que ao invés do que se afirma, tudo isto não é mera arte nova, é antes caso de polícia. E como caso de polícia que se assume ser, só há uma solução para estas torpezas do espírito que não é nada santo; uma extorsão assim metodizada só pode ter o caminho da condenação. A mais não se pode aspirar e acrescente-se mesmo o nosso riso legítimo e a nossa pequenina vingança se todos estes espíritos vierem a tombar. Se nos são prejudiciais, que mais podem esperar? Ah, e cabe-nos apupá-los mesmo depois de condenados. Afinal está decididamente instalado o caos, ninguém sabe onde começa e muito menos onde acaba o romance em torno do grupo espírito santo – com letra pequenina, como deve ser – quer se trate do BES, BESI, BESA, empresas, holdings, offshores e circo restante que gira à volta do nome. O cenário é a prova provada que vivemos um tempo e um país que se arroga o direito de dar alcova impune a entrudos mascarados de toureiros que assim desempenham o martírio destas lides. Repito, se as pessoas de Pamplona cedo se vestem de branco mas depois é o vermelho que predomina, então não há grande diferença quanto ao que por cá se passa. A existir, ela reside basicamente no facto de, no meu país, igual vermelho corresponder tão-só à sangria que rapidamente tomou conta de todos nós. Por culpa do nosso tempo que acabou por englobar certos homens em três categorias; os maus, os bons e os burros, ou seja, os animais de ataque, os animais de trabalho e os que vivem de fantasia. Todos são culpados, mas a ajustar este estado de coisas, eu começaria por transaccionar os maus cobrando-me da mesma moeda que usam para com a nossa boa consciência, depois diria aos bons para se afastarem do convívio dos atacantes e finalmente recomendaria aos burros, eu mesmo, que se vissem melhor ao espelho de modo a achar a careta mais adequada para cada um dos efeitos cénicos da triste vida em que os espíritos prevalecentes nos meteram.
 
Mário Rui
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sexta-feira, 4 de julho de 2014

BES Esperança BBDO




“Nos tempos que correm é difícil acreditar, mas a esperança existe, é real. E foi por aí que o BES começou”.
Lá que deve ser difícil de explicar, eu aceito. E alguém me sabe dizer como irá acabar?  É que esperança, muitas vezes, é coisa tão volátil nas mãos dos que têm interesses próprios a defender ou panaceias a vender que, ao mais modesto dos depositantes,  só resta dar nota das suas apreensões que as tendências do momento criam no seu espírito. Por mim, quanto mais vejo mais articulada e explícita se torna a minha desilusão. Uma grande esperança, isso sim, seria evitar a produção de tantos resultados indesejados, e especialmente o processo pelo qual os mesmos se verificam. Esperança, seria não ter permitido que experiências perigosas neste sector em particular conduzissem a situações
que ninguém entre nós deseja. Tudo o resto é prosápia.


Mário Rui
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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Chouriçadas



O IVA do pão com chouriço, com nozes, passas ou torresmos locais está mais baixo desde sexta-feira, dia em que a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) reduziu o imposto desses produtos regionais de 23% para 6%. Ora aí está uma boa notícia especialmente dirigida aos mais pessimistas que insistiam em desânimos mil, que se sentiam espoliados, agredidos, essa massa anónima chamada de povo. Agora, das duas, uma. Ou esta Autoridade Aduaneira precisa de mais cinquenta anos de idade, ou então de mais cinquenta anos de reflexão. Com estas virtudes, que reconhecemos e veneramos, estamos certos que a seguir virá a redução do IVA também para o copo de tinto, para o bolo de bacalhau e já agora para a arte de assim viver. Queremos que a AT continue a agir com base nesta crença de modo ainda mais resoluto e enérgico esperando que estes sucessos melhorem a qualidade das nossas vidas. Poderíamos até dizer que a nossa era moderna começou agora mesmo, com a proclamação do direito humano universal à busca do "choriço", afinal da felicidade.

 

Mário Rui
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sábado, 28 de junho de 2014

Vendedores de promessas



“Aeroporto de Beja perdeu o seu único voo comercial. Os voos charters entre Paris e Beja estavam prometidos durante todo o verão e o mês de outubro. Foram agora cancelados.
 
 A decisão de acabar com as viagens surpreendeu os responsáveis do turismo alentejano. De um total de 24 voos previstos (entre partidas e chegadas), foram realizados apenas oito. Desde o dia 16 que não aterra qualquer avião comercial em Beja”
Jornal Expresso



Tudo isto foi feito, e mal, com dinheiro meu. Dinheiro sacado ao meu súor, ao meu esforço e sem que da empreitada se tenha visto retorno que pudesse eventualmente consagrar quer a obra em si e a sua utilidade, quer a prudência ou sequer bom-senso por parte de quem a mandou fazer. Falo obviamente dos mil mercadores e fazendeiros daqui, mais interessados em subordinar tudo a um comércio traiçoeiro, interesseiro, pérfido mesmo, do que propriamente preocupados com o que de essencial enobrece um país. Falando de um modo prático, apenas apetece qualificar tais suspeitos desígnios, estes que assim tornaram o progresso lento e duvidoso, como sendo projecto de total ausência de discernimento ou de senso moral. E ainda há quem diga que “obreiros” destes são bons cidadãos, homens que servem o Estado. Não fazem nada a sério ou que seja eficaz e por isso deveriam ser chamados era de inimigos do Estado. Não merecem mais respeito que o dedicado a um espantalho e não obstante a designação parecer rude ou hostil, a estes que não propiciam ganho algum aos seus semelhantes, não hesito em afirmar que são apenas perturbadores da ordem. Se o dinheiro que me subtraíram para esta e muitas outras obras como esta jamais me irá ser devolvido, ou melhor aplicado, então a única paga que me ocorre é expressar-lhes a minha insatisfação, ingratidão, enfim negá-los simplesmente. Não existem, nem política nem socialmente, mas mesmo negados deveriam ser julgados em sede especial para o efeito: no Tribunal da Tranquilidade Pública. Mesmo que já não governem uma certa república das bananas.
 
Mário Rui
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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Rádio Voz da Ria - Estarreja






Mário Rui
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A Hospitalidade ao Fantasma: Memórias dos Deficientes das Forças Armadas




“Tudo é humanidade, e a humanidade é sempre a mesma - variável mas inaperfeiçoável,
oscilante mas improgressiva. Perante o curso inimplorável das coisas, a vida que tivemos sem saber como e perderemos sem saber quando, o jogo de mil xadrezes que é a vida em comum e luta, o tédio de contemplar sem utilidade o que se não realiza nunca - que pode fazer o sábio senão pedir o repouso, o não ter que pensar em viver, pois basta ter que viver, um pouco de lugar ao sol ao ar e ao menos o sonho de que há paz do lado de lá dos montes.”

Fernando Pessoa, in "Livro do Desassossego"
A guerra colonial portuguesa - um massacre entre pessoas que não se conheciam para proveito de pessoas que se conheciam mas não se massacravam. E quem queria saber do martírio dos outros?
«Na guerra não chorei. Choro agora porque podia ter uma vida muito melhor»
 
Feridos no campo de batalha, mutilados para toda a vida, esquecidos na Pátria pela qual combateram. São testemunhos e olhares para a guerra colonial portuguesa, pessoas que até agora nunca tinham falado muito do assunto. Os deficientes das Forças Armadas têm agora voz através de um documentário disponível para todos chamado “Hospitalidade ao Fantasma”. Forças de testemunhos que impressionam quando se lê e ouve este trabalho, marcas que vieram do fundo das grutas onde estes ex-militares os guardam.
Vídeo realizado por Bruno Sena Martins, do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, produzido no âmbito do projeto de investigação “Vidas Marcadas pela História: a Guerra Colonial Portuguesa e os deficientes das Forças Armadas”
 
A equipa de investigação foi constituída por Boaventura de Sousa Santos, Bruno Sena Martins e Natércia Coimbra. Neste projeto de investigação participaram a Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA) e o Centro de Documentação 25 de Abril.


Mário Rui
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Qual jornalismo?



Qual jornalismo?  (Ler Aqui)
Esta imagem já correu algum do nosso mundo, tendo-lhe sido aposta uma legenda em que se dizia que o Presidente do Uruguai, José Mujica, como qualquer outro simples cidadão do seu país, estaria numa unidade hospitalar a aguardar pacientemente uma consulta médica. Não é relevante, para o caso, de que se ocuparia neste momento o Presidente mas, afinal, importante é perceber-se do modo como o que se escreve, associando o verbo à imagem, pode em muitos casos ser algo que resulta da tentativa de conquistar o que quer que seja em lugar de se defender jornalismo sério. É como que jornalismo de escaramuça à laia de mercenário negando quase tudo o que não seja verdadeira manipulação da opinião pública. Obviamente que nestas situações tais adulterações jornalísticas servem propósitos bem definidos e os mais avisados até os entendem. Acontece é que, admitindo com alguma bondade a não conivência do Presidente quanto ao objectivo pretendido, o exemplo dado com este caso, demonstra bem a tanga nova, ou velha, que se quer incutir aos mais incautos, fazendo assim crer a esses o patronato próximo de um qualquer político, para já não falar do esforço feito na quase divinização de alguns líderes, mascarando-os de dedicações humanitárias que não raras vezes não possuem de facto. É apenas por este lado que me interessa esta não notícia e não mais que isso. Não importa o sítio onde se faz jornalismo deste calibre, importa sim dizer que, em muitas redacções espalhadas por esse mundo, apenas há redacções gratuitas, cheias de défices e onde a política quer absorver todo o labor dos cérebros-leitores, até mesmo os dos mais lúcidos. Boa sorte para o desempenho do Presidente do Uruguai, país que por ora rejubila com o futebol e com outros pontapés.
 
 
Mário Rui
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Rádio Voz da Ria - Estarreja; uma nova imagem!



Rádio Voz da Ria - Estarreja;  uma nova imagem!
 
 
 
Mário Rui
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segunda-feira, 23 de junho de 2014

E diz Ronaldo



E diz Ronaldo:
- "Portugal nunca foi favorito. Aliás, basta ver pela nossa qualificação. Foi difícil desde o princípio e a responsabilidade pelos resultados pouco positivos no Brasil é dos jogadores, é de toda a seleção. Nunca pensei que íamos ganhar o Mundial".
 
Pois claro, nenhuma coisa se pode prometer ao mundo e tudo o que podemos oferecer é apenas a vã notícia de sucessos futuros, essa velha e já vista história. As outras histórias contam-nos as coisas passadas, trazem-nos à memória aqueles antigos sucessos públicos que o mundo também viu. Quanto ao porvir, tudo são segredos ocultos e escuríssimos que no mais das vezes nem sequer chegam a penetrar o entendimento comum, razão pela qual são por hoje apenas nomes novos mas nem por isso bem soletrados. É de direito natural que ninguém seja condenado sem ser ouvido, mas para que tal aconteça também seria desejável que não se tivesse prometido grande futuro aos desejos para depois, consumado o revés, se vir dizer que afinal a promessa era só de breves desejos ao futuro. Assim como há esperanças que tardam, há também palavras que se devem calar ‘a posteriori’ posto que se no antes não ocuparam lugar não é no depois que vingam. Todo o discurso em cima de construção assim desenhada cheira a conversa de propaganda disfarçada em belos pretextos morais. Só isso.
 

Mário Rui
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O que é realmente difícil???




O que é realmente difícil é alcançar a meta verdadeira pois que ela só depende da resistência de quem corre. Por outro lado, há quem diga que nestas coisas do futebol nada é impossível a quem sabe ousar, mas a ousadia da nossa selecção parece resumir-se invariavelmente a isto; quando vamos a jogo, vivemos e jogamos de facto à medida da nossa fantasia e nunca se tem a certeza de aí estar em absoluto, no jogo. Assim, assistimos a mais uma aventura poética sem o mínimo de chama e, não querendo chamar a este desempenho trapaça, a única explicação que encontro para tanto desaire é o insistente apego a uma certa fatalidade em precipitar as coisas. Do outro lado, o de cá, onde o conjunto nacional é visto a jogar, resta-nos a esperança costumeira, a ilusão de uma cumplicidade possível que tarda sempre em tornar-se convicção de um estado de espírito ganhador. Adoro estas confissões tediosas mas convencidas pois são as únicas que desafiam o nacional-lirismo futeboleiro, os golpes de definições tácticas, as receitas para ganhar o que nunca se ganha! Se quiserem digam que estas são palavras sibilinas, contudo, para mim, não há ambiguidades a propósito do que vejo e do que vi pois que já não vale a pena conceder crédito a esta sucessão quase ininterrupta de representação medíocre. Certamente que não vamos deixar de comer todos os dias, ou seja, não vai ser mais um fracasso a ditar a nossa fome, mas lá que o elevado grau de absurdidade a que recorrentemente assistimos é inadmissível, lá isso é. Por este andar, um destes dias até nos convencem de que tudo o que nos acontece nos convém e sabendo-se que em tempo já longínquo havia quem acreditasse que ter inspiração era receber um presente dos deuses, a explicação a vir para tanta adversidade resumir-se-á seguramente à indisposição de cada um dos membros da Trindade. E não sei se para alguns a derrota de hoje não terá mesmo a mãozinha velhaca do Pentágono ou da CIA, mas desse assunto outros se ocuparão depois, com mais vagar. Mas não vão em histórias, amigos meus. A coisa passa-se assim; a nossa selecção não vai lá porque certos detalhes mal acabados, contrastam com outros, apenas lá postos de raspão!!!
 
Mário Rui
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domingo, 22 de junho de 2014

Refluxo verbal incontrolável




Muito refluxo verbal incontrolável e o necessário apelo ao regresso de Gabriel Alves. Volta, rapaz, estás perdoado!!!

Jóia entre as jóias é o comentário de um tal de Freitas Lobo quando a acompanhar o desenrolar de um jogo de futebol.
 
De tão fecundo jeito literário e tão soberbos ideais linguísticos, o mínimo a que podemos aspirar quando lhe ouvimos poesia tão bela é tentarmos tudo para que a televisão não se desligue, sobretudo quando a bola fustiga duramente a trave, de modo a que não se esfume o verbo eloquente. Com um pouquinho de sorte ainda se nos colam ao intelecto tão singulares ilustrações narrativas. O escoliasta que durante tantos anos viveu neste trabalho intelectual, na aplicação ao mesmo, no estudo dedicado, falando, publicando e repartindo pelos seus semelhantes, há-de ser o pão divino da moderna literatura portuguesa. Perante o colosso, a bisca sueca pasma de espanto, isto para já não falar na Real Academia das Artes Letras e Ciências. Reparem:
 
- “Grande jogo em perspectiva. Técnica europeia contra a força africana”
- “Este jogador é a âncora que mantém o onze preso ao campo durante 90 minutos."
- “Esta jogada devia ser filmada e posta num quadro no Museu do Louvre”
- “Os grandes craques não se fabricam nem se procuram, simplesmente... encontram-se!"
- "A relva está muito mal tratada, mas quando Pirlo a pisa ela fica melhor tratada."
- “Maradona, a única prova que Deus existe..”.
- “Godín lá no alto, a falar com os pássaros”
- “São três milhões de uruguaios naquele remate.”
- "Busquets e Matuidi são jogadores que jogam com capacetes das obras." 
- "Lucas é um jogador que bate à porta da selecção do Brasil, e até já a arrombou."
- "Um jogador que é a placa giratória da equipa."
- “A defesa da Itália é uma parede de cimento táctica.” 
- “Este corte é um bisturi cirúrgico.”
- “O árbitro a descobrir uma falta subterrânea. Daquelas que são cometidas debaixo da relva”
- “A bola não percebeu o que o Iniesta quis fazer"


Mário Rui
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A Gana!!!




O conjunto do Gana empatou a Alemanha, hoje mesmo! E fê-lo porque não usou a rendição como arma, o que de resto é uma das piores componentes que caracteriza outras equipas. Sobretudo aquelas equipas marcadas por um especial e persistente cultivo do romance do futuro.


Mário Rui
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O balanço.




Assunção Esteves. Balanço de 3 anos: em busca da sagrada relação do parlamento com a vida (VER AQUI)
 
O meu "inconseguimento"; cada dia sei mais e entendo menos. Há quem lhe chame nirvana, mas também o que entende o peixe sobre a água onde nada toda a sua vida? É por isso que fixar os olhos no futuro me enche de dúvidas ...
 

Mário Rui
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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Vigências



Independentemente daquilo que cada um queira defender relativamente à implantação da República ou da Monarquia, preferências sobre as quais não me ocorre por enquanto opinião sustentada, sempre vou formulando mera congeminação que me leva a dizer o que se segue. Desde logo, e porque insistentemente ouço muita gente a abominar a Monarquia, fico com sérias reservas quanto à real eficácia da República. Mas isso são dados que por ora não quero discutir. Acho é que há regimes com uma forte componente monárquica onde de facto essa monarquia exerce uma função determinadíssima e de alta eficácia: a de simbolizar. De resto, a atestar esta minha constatação, tenho visto muito povo a emprestar uma inusitada solenidade ao rito da coroação, e não me digam que é povo ignorante, pelo que concluo não se tratar de gente louca a aclamar a(o) soberana(o). Eles lá saberão porque o fazem! Bom, mas quanto a este assunto de reis e rainhas, o que eu queria dizer é que sempre desconfiei dos que têm um opinião à prova de todas as outras opiniões. São assim donos de verdades irrefutáveis e blindadas, o que é algo que me parece ser do foro patológico. Nem a discussão meramente académica a este propósito consentem. Acho redutor, mas enfim, respeito. Quanto à República, que afinal em muitos casos também é continuar no ontem embora vivendo o hoje, deixo que outros a expliquem já que em resultado das experiências de um tempo presente desconjuntado, vacilando de episódio inesperado em episódio inesperado, me acho por enquanto incapaz de o perceber suficientemente bem de modo a formular narrativa coerente. E mais não quero dizer. Já agora, uma vez que em Espanha foi hoje proclamado um Rei, será de notar e lembrar que o outro, o pai, caçador ocasional de paquidermes, coisa que não abonou muito em seu favor e muito menos em favor do animal, decidiu optar por uma saída limpa! Como seria excelente que o exemplo contagiasse o outro lado da Península Ibérica. Não estou a falar da dívida pública, refiro-me a certos caracteres pessoais que por cá tratam da coisa igualmente pública e que, pelos vistos, nem com suja nem com limpa, não conseguem ver a saída! Mesmo que a eles a indiquemos.
 
Mário Rui
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O estado da nação.



A Federação Portuguesa de Futebol irá pagar 400.000 euros a cada jogador, num total de mais de 9 milhões de euros, caso a selecção ganhe o Campeonato do Mundo de Futebol.
A eurodeputada socialista Ana Gomes comparou ontem o Banco Espírito Santo (BES) ao BPN, afirmando que ambos são ou foram instrumentos de actividade criminosa. Ana Gomes disse ainda, em declarações à Antena 1, que "ninguém, chame-se Salgado ou Espírito Santo, pode ser demasiado Santo para ir preso".  (jornal i - 18 Jun 2014 )
Não sei e tão-pouco quero saber os nomes dos que exigiram, dos que ofereceram, ou sequer tentar entender da moderna pornografia a que se assiste no futebol de selecção nacional. Não estou nada interessado em semelhante assunto apenas porque, a exemplo do que acontece com a maior parte da vida política portuguesa e outra tanta social – estão aí mais uns elucidativos exemplos vindos a lume no programa “Conselho Superior” da Antena 1 do dia 17 de Junho - , tudo não é mais do que uma verdadeira choldra a que deve a minha consciência dedicar o  melhor do seu desprezo. Há-de ser um desprezo mais em forma de testemunho público de lamentos pela forma como cada vez mais me afasto da casta de gente que envergonha o país e não tanto desprezo que me leve a calar o estado irritativo, e de náusea, em que permaneço ante o que vejo, leio, ouço e finalmente vivo! Que grande feira de vaidades em que se tornou este recanto da portugalidade. Quer seja no futebol de selecção que alguns ainda julgam nacional, quer seja no domínio da banca portuguesa, aquilo a que se assiste é à tarefa de sacarrolhar, em cada caso em particular, o vil expediente que mais rapidamente possa dar dinheiro, vanglória, ainda que de fraca qualidade, ou possibilidade de êxito fácil em qualquer coisa. Os cálculos de ganhos e perdas ajustam-se na perfeição aos esquemas de fins e meios, razão pela qual cada um lança mão da mais hábil e ardilosa das vias ainda desimpedidas, subsistem muitas e quando escasseiam inventam-se, para irem enriquecendo de modo altamente duvidoso, dando deste modo nota do persistente sintoma normal de uma humanidade decaída. Não é coisa que os preocupe, esta queda abrupta de virtudes, pois que é mais importante ultrajar a memória de um país do que propriamente venerá-la. Vale tudo! Para se ser alguém cá na terrinha, o indispensável é que se deite toda a vergonha ao mar, depois virão as recompensas, e os vencidos, essa raça inferior que serve de pasto aos apetites devoradores dos primeiros, que se amanhe. Vamos longe com estes triunfantes e válidos amanhãs, vendo passar as afrontas. Apetece dizer que neste lenta agonia de nacionalidade há muitos para quem a bandeira do país já não é símbolo de nenhuma glória, mas antes um pano com que se cobrem as infâmias cometidas. Indignado? Claro! Peçam-me tudo, menos que tape os olhos. Bem basta quando a terra os cobrir!
 
Mário Rui
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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Uma medida com juízo.



Passos Coelho fez muitíssimo bem quando decidiu não ir assistir ao jogo Portugal vs Alemanha. E porquê? É simples; para ficar ao lado destes dois cromos achou que melhor seria furtar-se aos seus “bons" preceitos em lugar de ceder a estes dois maus exemplos.  
 
 
                   
Mário Rui
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A ´LEGO', Portugal e a Alemanha




A ‘LEGO’ esteve com a equipa de Portugal no jogo de hoje frente à Alemanha e deixou um conselho a alguns jogadores: claro que a maneira mais adequada de expressar gratidão é cultivar humildade e já agora discrição.
               
 
 
Mário Rui
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Mundial de Futebol 2014 - O futuro de uma ilusão



A cada momento, um brado rompe!




Mário Rui
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Mundial de Futebol 2014 - O futuro de uma ilusão



Iniciemos pela compreensão do que é a realidade. É comum o entendimento de que a realidade corresponde àquilo que “realmente existe”. E aquilo que realmente existe é fraco! E mesmo entre as diferentes interpretações da realidade não há contradições a assinalar. Portugal da Copa do Mundo simplesmente não existiu. E tem mais; foi uma equipa, e quem sabe se também os restantes que a preparam para o embate, uns verdadeiros nocivos à eclosão de qualquer sentimento sincero de brio profissional. Na barafunda de tudo o que se viu, só vingou a imagem da bandeira de Portugal nas bancadas. O resto foi um grande certame de cretinos. Espera-se melhor e de modo a prevenir a opinião contra a eventual boa-fé do esforço de toda a equipa, em prol da causa que a pés juntos nos dizem defender, fico-me por aqui. Em suma, não foi a Alemanha a ganhar o jogo, foi Portugal a perdê-lo.
“A utopia está lá no horizonte. A equipa aproxima-se dois passos, ela se afasta dois passos. Caminha dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que ela caminhe, jamais a alcançará. Para que serve a utopia? Serve para isso; PARA QUE A EQUIPA NÂO DEIXE DE CAMINHAR”
 
Mário Rui
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