sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Se...


Então e como seria se todas as coisas boas e apetecíveis da vida estivessem mesmo aqui ao nosso alcance sem o mínimo de esforço? Como seria se não nos tivéssemos de esticar todinhos para agarrar aquela oportunidade ou se não tivéssemos de correr no alcance da única coisa pela qual sabemos que vale a pena lutar?


Como seria se a luta e as conquistas constantes da vida não incluíssem o suor e os obstáculos a ela inerente? Como seria se do céu caísse ouro em vez de água ou se tudo aquilo que sempre quisemos estivesse mesmo ali à mão de semear?


Ter tudo de mão beijada é como marcar o golo decisivo em fora de jogo ou como receber os créditos por uma conquista que não se merece. Tem um sabor muito mais amargo do que aquele que inicialmente se julga.


Bom bom é fazer por merecer. É ir à luta e correr até à exaustão no alcance da chance de uma vida, é cavar arduamente o buraco em busca do ouro que desejaríamos encontrar facilmente no quintal da vizinha, é procurar o último pacote de bolachas na despensa em vez de esperar comodamente que a mãe regresse do supermercado com um novo e mais estaladiço, é fazer por merecer o número de telemóvel ou um encontro com a mulher dos nossos sonhos.

Fazer por merecer está no gene daqueles que com suor e lágrimas começam pobres e acabam ricos, para aqueles que jogam descalços na ladeira fria e molhada e acabam jogando no maior clube do mundo, para aqueles que dão humildemente o melhor de si em prol dos outros e para aqueles que contra as ilusões fugazes da vida preferem encarar a sua realidade com um sorriso no rosto.


O valor das conquistas nem sequer está no tempo que duram, mas na intensidade com que as vivemos. O sabor das conquistas não está na sua vitória, mas no esforço que é feito para lá chegar. Já o contrário é o mesmo que passar a usar preguiçosamente a caixa automática dos nossos carros evitando assim o prazer da condução
Rui André

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